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sábado, 28 de maio de 2011

A situação social do idoso no Brasil





A situação social do idoso no Brasil:

uma breve consideração*



The social situation of elderly in Brazil: a brief consideration
La situación social del anciano en Brasil: una breve consideración
Márcia R.S.S. Barbosa Mendes1, Josiane Lima de Gusmão2,
Ana Cristina Mancussi e Faro3, Rita de Cássia Burgos de O. Leite4



RESUMO

O envelhecimento é uma questão explorada por pesquisadores, epidemiologistas e estatísticos por meio de investigações científicas

encontradas na literatura nacional e internacional, que revelam a projeção notória desta população de idosos. No panorama mundial, bem

como nos países em desenvolvimento, a população idosa aumenta significativamente e o contraponto desta realidade aponta que o suporte

para essa nova condição não evolui com a mesma velocidade. Diante disto, a preocupação com esse novo perfil populacional vem gerando,

nos últimos anos, inúmeras discussões e a realização de diversos estudos com o objetivo de fornecerem dados que subsidiem o

desenvolvimento de políticas e programas adequados para essa parcela da população. Isto devido ao fato que a referida população requer

cuidados específicos e direcionados às peculiaridades advindas com o processo do envelhecimento sem segregá-los da sociedade.

Assim sendo, esse artigo tem como objetivo discutir sobre a situação social do idoso no Brasil, considerando os aspectos demográficos,

epidemiológicos e os aspectos psicossociais com destaque para a aposentadoria, a importância da família e as relações interpessoais.



Descritores: Idoso; Situação Social; Epidemiologia; Aposentadoria; Família



ABSTRACT

The national and international literature suggest that the process of becoming old in an issue of great interest for researchers,

statisticians, and epidemiologists. The literature shows that the population of elderly worldwide is increasing rapidly. Particularly in

countries in development, this population has been increasing significantly but the resources and support systems necessary to attend

this population is not expanding at the same rate. Therefore, concerns regarding this population profile have led to many serious

discussions and studies to provide data to those in political position to create adequate programs and policies to attend to the specific

needs of the elderly population without isolating them from society. Thus, the goal of this paper is to discuss the social situation of the

elderly in Brazil taken into consideration demographic, epidemiologic, and psychosocial. Emphasis is placed on retirement, the importance

of the family, and on the interpersonal relationships.



Keywords: Elder; Social situation; Epidemiology; Retirement; Family



RESUMEN

El envejecimiento es un asunto explorado por investigadores, epidemiólogos y estadísticos por medio de investigaciones científicas

encontradas en la literatura nacional e internacional, que revelan la proyección notoria de esta población de ancianos. En el panorama

mundial, así como en los países en desarrollo, la población anciana aumenta significativamente y el contrapunto de esta realidad señala

que el soporte para esa nueva condición no ha evolucionado con la misma velocidad. Frente a esto, la preocupación por ese nuevo perfil

poblacional viene generando, en los últimos años, innumerables discusiones y la realización de diversos estudios con el objetivo de

ofrecer datos que subsidien el desarrollo de políticas y programas adecuados para esa parcela de la población. Esto se debe al hecho

de que la referida población requiere cuidados específicos y orientados a las peculiaridades advenidas con el proceso del envejecimiento

sin segregarlos de la sociedad. Siendo así, en este artículo se tuvo como objetivo discutir sobre la situación social del anciano en Brasil,

considerando los aspectos demográficos, epidemiológicos y los aspectos psicosociales con destaque de la jubilación, la importancia de

la familia y las relaciones interpersonales.



Descriptores: Anciano; Situación social; Epidemiología; Jubilación; Familia



* Trabalho apresentado à disciplina “A Reabilitação na saúde do adulto e do idoso” do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem

na Saúde do Adulto (PROESA), Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo - USP - São Paulo(SP), Brasil.

1

Doutoranda da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP - São Paulo(SP), Brasil.

2

Doutora pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo - USP - São Paulo(SP), Brasil.

3

Livre Docente do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo -

USP - São Paulo(SP), Brasil.

4

Professora Doutora do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo -

USP - São Paulo(SP), Brasil.



Autor correspondente: Ana Cristina Mancussi e Faro

Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419 - Cerqueira César

05403-000 - São Paulo - SP - E-mail: rafacris@usp.br



Artigo recebido em 07/12/04 e aprovado em 23/02/05



Acta Paul Enferm. 2005;18(4):422-6



A situação social do idoso no Brasil...



423



A sociedade passa por grandes modificações. A

tecnologia avança, os meios de comunicação bombar-

deiam com fatos e dados, a vida é cada vez mais agitada,

o tempo cada vez menor e as condições econômicas são

mais difíceis, principalmente à medida que as pessoas

vivem mais. Isso tudo exige uma capacidade de adapta-

ção, que o idoso nem sempre possui, fazendo com que

essas pessoas enfrentem diversos problemas sociais(1).

Envelhecer é um processo natural que caracteriza

uma etapa da vida do homem e dá-se por mudanças físi-

cas, psicológicas e sociais que acometem de forma par-

ticular cada indivíduo com sobrevida prolongada. É uma

fase em que, ponderando sobre a própria existência, o

indivíduo idoso conclui que alcançou muitos objetivos,

mas também sofreu muitas perdas, das quais a saúde

destaca-se como um dos aspectos mais afetados(2).

A Organização Mundial de Saúde – OMS definiu

como idoso um limite de 65 anos ou mais de idade para

os indivíduos de países desenvolvidos e 60 anos ou mais

de idade para indivíduos de países subdesenvolvidos.

A qualidade de vida e o envelhecimento saudável re-

querem uma compreensão mais abrangente e adequada

de um conjunto de fatores que compõem o dia a dia do

idoso. Dessa maneira, o presente artigo tem como obje-

tivo discutir sobre a situação social do idoso no Brasil

considerando os aspectos demográficos e epide-

miológicos, aspectos psicossociais com destaque para a

aposentadoria, a importância da família e as relações

interpessoais.



ASPECTOS DEMOGRÁFICOS E

EPIDEMIOLÓGICOS DO IDOSO NO BRASIL



O envelhecimento da população é um fenômeno

mundial iniciado, a princípio, nos países desenvolvidos

em decorrência da queda de mortalidade, a grandes con-

quistas do conhecimento médico, urbanização adequada

das cidades, melhoria nutricional, elevação dos níveis de

higiene pessoal e ambiental tanto em residências como

no trabalho assim como, em decorrência dos avanços

tecnológicos. Todos esses fatores começaram a ocorrer

no final da década de 40 e início dos anos 50.

Nos países menos desenvolvidos como o Brasil, o

aumento da expectativa de vida tem sido evidenciada

pelos avanços tecnológicos relacionados a área de saúde

nos últimos 60 anos, como as vacinas, uso de antibióti-

cos, quimioterápicos que tornaram possível a prevenção

ou cura de muitas doenças. Aliado a estes fatores a que-

da de fecundidade, iniciada na década de 60, permitiu a

ocorrência de uma grande explosão demográfica.

No Brasil estima-se que nos próximos 20 anos a

população de idosos poderá alcançar e até mesmo ultra-



passar a cifra dos 30 milhões de pessoas, o que repre-

sentará aproximadamente 13% da população. Em 2000,

segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e

Estatística (IBGE)(3), o número de pessoas com 60 anos

ou mais era de 14.536.029, contra 10.722.705 em 1991.

Esse crescimento traz a consciência da existência da

velhice como uma questão social. Questão esta que pede

grande atenção, pois está diretamente relacionada com

crise de identidade; mudança de papéis; aposentadoria;

perdas diversas e diminuição dos contatos sociais.

É importante destacar que a população de idosos está

crescendo mais rapidamente do que a de crianças. Em

1980, existiam aproximadamente 16 idosos para cada

100 crianças. Em 2000, essa relação aumentou para 30

idosos por 100 crianças, praticamente dobrando em 20

anos. Isso ocorre devido ao planejamento familiar e con-

seqüente queda da taxa de fecundidade, e também pela

longevidade dos idosos. Dados do IBGE(3) mostram que

as pessoas estão vivendo mais. O grupo com 75 anos ou

mais teve o maior crescimento relativo (49,3%) nos úl-

timos dez anos, em relação ao total da população idosa.

Entretanto a sociedade não está preparada para essa

mudança no perfil populacional e, embora as pessoas

estejam vivendo mais, a qualidade de vida não acompa-

nha essa evolução. Dados do IBGE(3) mostram que os

idosos apresentam mais problemas de saúde que a po-

pulação geral. Em 1999, dos 86,5 milhões de pessoas

que referiram ter consultado um médico nos últimos 12

meses, 73,2% tinham mais de 65 anos, sendo que esse

grupo, no ano anterior, apresentou 14,8 internações por

100 pessoas, representando o maior coeficiente de

internação hospitalar. Mais da metade dos idosos (53,3%)

apresentou algum problema de saúde, e 23,1% tinham

alguma doença crônica.

Em pesquisa realizada nas cinco regiões do município

de São Paulo no início dos anos 90, foi verificado que

86% dos entrevistados apresentavam pelo menos uma

doença crônica, fato este confirmado em estudo de segui-

mento de dois anos desses indivíduos, mostrando que

94,4% dos idosos avaliados apresentavam mais de uma

doença crônica(4). Nesse mesmo estudo foi demonstrado

que 32% dos idosos entrevistados eram dependentes para

suas atividades rotineiras e instrumentais de vida diária.

Esses dados retratam uma realidade preocupante na

vida dos idosos que é: o envelhecimento sem qualidade e

a carência no aspecto político e social que dêem suporte

para um envelhecimento saudável.



ASPECTOS PSICOSSOCIAIS

DO ENVELHECIIMENTO



Na sociedade atual, capitalista e ocidental, qualquer

valoração fundamenta-se na idéia básica de produtivida-

de, inerente ao próprio capitalismo.



Acta Paul Enferm. 2005;18(4):422-6



Mendes MRSSB, Gusmão JL, Faro ACM, Leite RCBO.



O modelo capitalista fez com que a velhice passas-

se a ocupar um lugar marginalizado na existência

humana, na medida em que a individualidade já teria

os seus potenciais evolutivos e perderia então o seu

valor social. Desse modo, não tendo mais a possibili-

dade de produção de riqueza, a velhice perderia o seu

valor simbólico(5).

Todos os seres vivos são regidos por um determi-

nismo biológico e sendo assim, o envelhecimento envol-

ve processos que implicam na diminuição gradativa da

possibilidade de sobrevivência, acompanhada por altera-

ções regulares na aparência, no comportamento, na ex-

periência e nos papéis sociais(6).

Diante dessa visão, o envelhecimento é entendido

como parte integrante e fundamental no curso de vida

de cada indivíduo. É nessa fase que emergem experiên-

cias e características próprias e peculiares, resultantes

da trajetória de vida, na qual umas têm maior dimensão e

complexidade que outras, integrando assim a formação

do indivíduo idoso.

As tensões psicológicas e sociais podem apressar

as deteriorações associadas ao processo de envelheci-

mento. Percebe-se no indivíduo que envelhece uma

interação maior entre os estados psicológicos e sociais

refletidos na sua adaptação às mudanças. A habilidade

pessoal de se envolver, de encontrar significado para

viver, provavelmente influencia as transformações bio-

lógicas e de saúde que ocorrem no tempo da velhice.

Assim, o envelhecimento é decisivamente afetado pelo

estado de espírito, muito embora dele não dependa para

se processar(7).

O papel social dos idosos é um fator importante no

significado do envelhecimento, pois o mesmo depende

da forma de vida que as pessoas tenham levado, como

das condições atuais que se encontram.

Neste aspecto destacamos a aposentadoria, momento

em que o indivíduo se distancia da vida produtiva. Na

vida do homem, a aposentadoria muitas vezes acontece

como uma descontinuidade. Há uma ruptura com o pas-

sado, o homem deve ajustar-se a uma nova condição

que lhe traz certas vantagens, como o descanso, lazer,

mas também graves desvantagens como desvalorização

e desqualificação.



A aposentadoria foi concebida como uma instituição

social, assegurando aos indivíduos renda permanente até

a morte, correspondendo a crescente necessidade de

segurança individual que marca as sociedades da nossa

época.

Os estudos sobre a aposentadoria revelam que,

comumente é gerada uma crise no indivíduo. A retirada

da vida de competição, a auto-estima e a sensação de ser



útil se reduzem. No início a maioria dos idosos se sente

satisfeito, pois lhe parece ser muito bom poder descan-

sar. Aos poucos, descobrem que sua vida tornou-se tris-

temente inútil. Nesta ausência de papéis é que podemos

observar o verdadeiro problema do aposentado, sua an-

gústia, sua marginalização e, muitas vezes o seu isola-

mento do mundo. Percebendo que ninguém necessita

dele por estar isolado, recusado e excluído da socieda-

de, ele se sente cada vez mais angustiado, tornando difí-

cil sua adequação ao mundo no qual vive. Aliado a esses

fatores da aposentadoria, o idoso também enfrenta uma

queda do nível de renda que, por sua vez, afeta a quali-

dade de vida bem como a saúde (7-9).

Os termos “status” e “papel” são considerados como

definidores da posição social e do modo geral de interação

entre os indivíduos. A cada “status” pessoal têm-se pa-

péis que, somados, definem a posição individual da pes-

soa, ou seja, a soma dos direitos e obrigações que repre-

sentam o seu comportamento social(1).

O trabalho e seu significado na formação do indiví-

duo é uma questão importante a ser levantada quando se

discute a aposentadoria. É na atividade profissional que

depositamos nossas aspirações pessoais e perspectivas

de vida(10).

É o trabalho que permite o ato de existir enquanto

cidadão e auxilia na questão de se traçar redes de

relações que servem de referência, determinando,

portanto, o lugar social e familiar. Pode ocorrer também

o contrário, e o idoso inserir-se num processo de

despersonalização(10).

Na realidade do contexto social de muitos países, os

idosos apresentam poucas perspectivas em relação ao

futuro. Embora o progresso industrial e tecnológico te-

nha conquistado avanços, identifica-se outro problema

concernente ao idoso, à dificuldade em lidar com esses

avanços, pois o mercado exige modernos equipamentos

e profissionais mais capacitados para manter-se produ-

tivo. Encerra-se assim o seu ciclo produtivo e fica a

esperança de receber uma aposentadoria que as políticas

previdenciárias lhe proporcionam, insuficiente para su-

prir todas as necessidades para a sua sobrevivência. Em

nossa sociedade, o ser humano está intimamente ligado

ao processo de trabalho, produção, construção de famí-

lia e ganhos. Diante disto, aposentar-se pode significar

uma fase ameaçadora e até desastrosa(11).

As estatísticas demonstram que um número consi-

derável de trabalhadores aposentados vai a óbito logo

após aposentar-se. Estes óbitos ocorrem no período de

dois anos de gozo deste beneficio(12).

Uma melhoria das condições de vida dos idosos em

áreas rurais tem sido evidenciada pela universalização da

aposentadoria rural, que também passou a beneficiar os

trabalhadores rurais, inclusive os que não contribuíram

diretamente com a previdência social. Instituída pela



Acta Paul Enferm. 2005;18(4):422-6



A situação social do idoso no Brasil...



Constituição de 1988, a aposentadoria rural beneficia atu-

almente cerca de 6,8 milhões de trabalhadores rurais.

Para receber um salário mínimo, eles precisam compro-

var tempo de serviço de até 15 anos no campo e ter

idade acima de 55 anos (mulheres) e 60 anos (homens).

Como a legislação só mantém essas condições até 2006,

não havendo mudanças, só terá direito ao benefício quem,

até o período determinado, atingir a idade mínima de

aposentadoria. Seria de grande relevância se a esfera

governamental garantisse esse benefício como direito

incondicional, havendo a necessidade de alteração dessa

legislação, a qual o limita a um determinado período de

tempo(8).

Até a atual Constituição não existia nenhum disposi-

tivo tratando dos direito dos idosos, já que esta era uma

problemática desconsiderada pelos tecnocratas e ainda

pouco visível para uma sociedade considerada jovem

como a brasileira.

No entanto, a Constituição de 1988 já se refere ao

idoso, garantindo o seu amparo.

A Política Nacional do Idoso (PNI), pela Lei 8.842/

94 e regulamentada pelo Decreto 1948/96, estabelece

direitos sociais, garantia da autonomia, integração e par-

ticipação dos idosos na sociedade, como instrumento

de direito próprio de cidadania, sendo considerada po-

pulação idosa o conjunto de indivíduos com 60 anos ou

mais(13).

A Lei nº 8.842/94 criou o Conselho Nacional do Ido-

so, responsável pela viabilização do convívio, integração

e ocupação do idoso na sociedade, através, inclusive, da

sua participação na formulação das políticas públicas,

projetos e planos destinados à sua faixa etária. Suas di-

retrizes priorizam o atendimento domiciliar; o estímulo à

capacitação dos médicos na área da Gerontologia; a

descentralização político-administrativa e a divulgação de

estudos e pesquisas sobre aspectos relacionados à ter-

ceira idade e ao envelhecimento.

As políticas públicas governamentais têm procura-

do implementar modalidades de atendimento aos idosos

tais como, Centros de Convivência – espaço destinado à

prática de atividade física, cultural, educativa, social e

de lazer, como forma de estimular sua participação no

contexto social que se está inserido(14).

Os idosos aposentados ou não, deveriam desfrutar

de sua aposentadoria com dignidade. Os estudiosos na

área da Gerontologia Social revelam que o trabalho tor-

na-se um dos elementos relevantes que interfere de for-

ma positiva na longevidade. Ainda é necessário se cons-

truir espaços para essa geração madura que pode e con-

tinuará ativa. No contexto atual, os cidadãos necessitam

modificar seu perfil de conduta referente aos idosos.

Apesar da criação de novas leis de amparo a velhice,

que evidenciam uma preocupação com esta crescente

faixa etária, pouco tem sido feito para viabilizar o exer-



425



cício dos direitos assegurados por estas leis. Ainda é

muito parca a atuação governamental efetiva, voltada para

este segmento da população. Sabe-se que até mesmo as

iniciativas de caráter privado estão mais direcionadas para

o assistencialismo, conduzindo a uma tendência de afas-

tar os idosos de realizar atividades criadoras, favorecen-

do assim o seu isolamento da sociedade a qual pertence.

A família, como a comunidade, tem um lugar de des-

taque na criação de uma estrutura que estimula novos

caminhos para o idoso, bem como proporciona efetivas

opções àqueles que decidem ou são compelidos a deixar

o serviço ativo(7).



Família



Em todas as fases da vida a família exerce uma im-

portância fundamental no fortalecimento das relações,

embora muitas vezes a família tenha dificuldades em

aceitar e entender o envelhecimento de um ente, tornan-

do o relacionamento familiar mais difícil.

O indivíduo idoso perde a posição de comando e

decisão que estava acostumado a exercer e as relações

entre pais e filhos modificam-se. Conseqüentemente as

pessoas idosas tornam-se cada vez mais dependentes e

uma reversão de papéis estabelece-se. Os filhos geral-

mente passam a ter responsabilidade pelos pais, mas

muitas vezes esquece-se de uma das mais importantes

necessidades: a de serem ouvidos. Os pais, muitas ve-

zes, quando manifestam a vontade de conversar, perce-

bem que os filhos não têm tempo de escutar as suas

preocupações (7).

O ambiente familiar pode determinar as característi-

cas e o comportamento do idoso. Assim, na família su-

ficientemente sadia, onde se predomina uma atmosfera

saudável e harmoniosa entre as pessoas, possibilita o

crescimento de todos, incluindo o idoso, pois todos pos-

suem funções, papéis, lugares e posições e as diferenças

de cada um são respeitadas e levadas em consideração.

Em famílias onde há desarmonia, falta de respeito e não

reconhecimento de limites, o relacionamento é carrega-

do de frustrações, com indivíduos deprimidos e agressi-

vos. Essas características promovem retrocesso na vida

das pessoas. O idoso torna-se isolado socialmente e com

medo de cometer erros e ser punido(1).

Nas famílias onde existe o excesso de zelo, o idoso

torna-se progressivamente dependente, sobrecarregan-

do a própria família, com tarefas executadas para o ido-

so, onde na maioria das vezes ele mesmo poderia estar

realizando. Esse processo gera um ciclo vicioso e o ido-

so torna-se mais dependente.

Reconhece-se que para cada família o envelhecimen-

to assume diferentes valores que, dentro de suas peculi-

aridades, pode apresentar tanto aspectos de satisfação

como de pesadelo.



Acta Paul Enferm. 2005;18(4):422-6



Mendes MRSSB, Gusmão JL, Faro ACM, Leite RCBO.



Em estudo realizado com idosos em domicílio, foi

constatado que quando a qualidade afetiva em relação à

família foi ótima (14 idosos) e boa (46 idosos), os idosos

tiveram um menor grau de dependência emocional e ativi-

dades de lazer, em contraposição aos idosos que avalia-

ram como regular (16 idosos) e péssima (1 idoso) a qua-

lidade afetiva em relação à família, os quais tiveram au-

mento substancial no grau de dependência emocional (7).

De acordo com os resultados do estudo supra cita-

do, pode-se inferir que a família representa para esses

idosos, um fator que influencia significativamente a sua

segurança emocional.



Além da família, o convívio em sociedade permite a

troca de carinho, experiências, idéias, sentimentos, co-

nhecimentos, dúvidas, além de uma troca permanente

de afeto.

Outros aspectos importantes consistem na estimu-

lação do pensar, do fazer, do dar, do trocar, do reformular

e do aprender (1).

O idoso necessita estar engajado em atividades que

o façam sentir-se útil. Mesmo quando possui boas con-

dições financeiras, o idoso deve estar envolvido em ati-

vidades ou ocupações que lhe proporcionem prazer e

felicidade.

A atividade em grupo é uma forma de manter o indi-

víduo engajado socialmente, onde a relação com outras

pessoas contribui de forma significativa em sua qualida-

de de vida(1).

O idoso precisa ter vontade de participar do grupo

para que assim possa usufruir dele, aspectos estes, que

ajudam a melhorar e tornar mais satisfatória sua vida.



CONSIDERAÇÕES FINAIS



A situação social da pessoa idosa no Brasil revela a

necessidade de discussões mais aprofundadas sobre as

relações do idoso na família e na sociedade, aspecto

enfatizado nas salas de aulas, sobretudo na formação de

profissionais da área de saúde e de educação.

Neste texto a situação social do idoso foi delineada

por questões pertinentes aos aspectos demográficos e

epidemiológicos, aspectos psicossociais, evidenciando

a aposentadoria e a relação afetiva e familiar.

Acreditamos que tais aspectos, embora já ampla-

mente discutidos e também publicados nos mais diver-

sos veículos de divulgação de conhecimento, não se en-

contram esgotados na sua temática e continuam mere-

cendo destaque e atenção, bem como discussões

verticalizadas voltadas para a inclusão social do idoso.

A imposição de padrões estéticos de produtividade e

de socialização aponta para a exclusão do idoso e é por



meio da divulgação do conhecimento que poderemos

compreender que não basta almejar a vida longa, mas a

melhor qualidade para este viver.



REFERÊNCIAS



1. Zimerman GI. Velhice: aspectos biopsicossociais. Porto Alegre:

Artes Médicas Sul; 2000.



2. Mendes MRSSB. O cuidado com os pés: um processo em

construção [dissertação]. Florianópolis: Universidade Federal

de Santa Catarina; 2000.



3. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Perfil dos

idosos responsáveis pelos domicílios no Brasil: 2000. Rio de

Janeiro; 2002.



4. Ramos LR, Rosa TEC, Oliveira ZM, Medina MCG, Santos

FRG. Perfil do idoso em área metropolitana na região sudeste

do Brasil: resultados de inquérito domiciliar. Rev Saúde Pública.

1993;27(1):87-94.



5. Veras RP. Terceira idade: gestão contemporânea em saúde. Rio

de Janeiro: UNATI/Relume Dumará; 2002.



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7. Leite RCBO. O idoso dependente em domicílio [tese]. Salvador :

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8. Marina CS. O processo de envelhecimento no Brasil: desafios e

perspectivas. Textos Envelhecimento. 2005;8(1):1-10.



9. Cattani RB, Perlini NMOG. Cuidar do idoso doente em domicilio

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[periódico na Internet]. 2004 [citado 2005 Maio 18];6(2): [cer-

ca de 20 p.] Disponível em: www.fen.ufg.br



10. Vieira EB. Manual de gerontologia: um guia teórico prático para

profissionais, cuidadores e familiares. Rio de Janeiro: Revinter;

1996.



11. Barros MML. Velhice ou terceira idade? 2a ed. Rio de Janeiro:

Ed. FGV; 2000.



12. Haddad EGM. O direito à velhice: os aposentados e a previ-

dência social. São Paulo: Cortez; 1993.



13. Brasil. Lei n. 8.842, de 4 de janeiro de 1994. Dispõe sobre a

Política Nacional do Idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso

e dá outras providências [texto na Internet]. Brasília; 1994.

[citado 2005 Maio 18]. Disponível em: http://www.planalto.

gov.br/ccivil_03/Leis/L8842.htm



14. Neri AL, Freiri AS. E por falar em boa velhice. São Paulo:

Papirus; 2000.



Acta Paul Enferm. 2005;18(4):422-6

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